Em Quiririm

Nasceu em 18 de dezembro de 1931, em Quiririm.

Aos 7 dias de vida, manifestou uma infecção nos olhos, o médico orientou pegar nitrato de prata, mas uma dosagem errada levou o garoto a uma deficiência visual quase total. Apenas o olho direito via algumas sombras, silhuetas e o brilho do sol.

Aos 2 anos, ganhou uma gaita. Aprendeu a tocar sozinho.

Aos 7 anos, o olho direito começou a inchar, até ficar totalmente cego.

Aos 9 anos, a mãe de Zé Cupido, dona Cleonice Andena, ganhou um acordeon de 2 baixos em uma rifa e presenteou o garoto. Em um mês, ele aprendeu a tocar tudo o que podia reforçando a sua vocação musical autodidata.

Com a mãe, que adorava cantar, aprendeu diversas músicas, e embalava as suas sessões de costura com a sanfona.

Foi dona Cleonice que o orientou a tocar a sanfona nas duas carreiras, porque a sanfona de 2 baixos era uma carreira só.

Passou a tocar uma sanfona de 8 baixos que era do seu pai, Manoel da Rocha Cupido, que era funcionário da Central do Brasil.

Mãe falece aos 10 anos do garoto, em 2 de maio de 1942.

Família segue para morar em Taubaté. Começam as apresentações de Zé Cupido com sua sanfona de 8 baixos em festas de família, como batizados e casamentos, quermesses e festa de igreja.

Em Jacareí

Pouco tempo depois, pai casa-se de novo e vai morar em Jacareí, onde Zé Cupido começa a se apresentar em festas de amigos e na rádio comunitária local.

Em 1950, adquire uma sanfona Todeschini 48, sem muitos recursos, mesmo assim se apresenta em diversos locais na cidade e também em outras cidades da região do Vale do Paraíba, como Taubaté e Lorena.

Amigos o apresentam a pessoas influentes nas rádios. Nos anos 1950, inicia carreira profissional em programas musicais.

Em 1951, amigos fazem uma “ vaquinha” e compram um bom acordeon para Zé Cupido.

É apresentado a Cascatinha e Inhana no Circo Estrela Dalva.

Em São Paulo

Em 1952, muda-se para São Paulo, já casado com Josefa Cupido.

A partir de 1953 tornou-se uma das atrações do programa “Sanfonas e Sanfoneiros” da Rádio Piratininga.

Em meados dos anos 1950, começa a tocar músicas portuguesas e italianas no restaurante e boate da cantora de músicas portuguesas Irene Coelho, que também tem um programa na rádio 9 de Julho. Zé Cupido grava diversas músicas para os LPs de Irene.

No início dessa convivência, vive com a esposa Josefa em um dos quartos do estabelecimento de Irene Coelho na avenida da Consolação.

Em São Paulo, fez amizade com Amácio Mazzaropi, que também residia na capital paulista. Essa ligação rendeu a Zé Cupido a participação em dois filmes do mestre do cinema brasileiro: “Carrochinha” (1955) e “Jeca, a Freira” (1967).

Além de gravar músicas de Capitão Furtado, também grava canções de Arlindo Pinto. Com ambos, foi coautor de diversas composições. Roberto Stanganelli também compôs junto com Zé Cupido.

Em 1957, participou da gravação de "Meu prazer", de Arlindo Pinto e Anacleto Rosas Jr., com o Trio Turuna.

Em seguida gravou o maxixe "Bidu" e a polca "Fogo na botina".

Em 1964, gravou o LP "Tiro e queda". No ano seguinte, gravou um LP instrumental em que se destacou a toada "Sertão da minha terra", de Jorge Paulo.

Na sequência, gravou "Viajando pelo Brasil", LP em que se destacou "Ao pé do fogo", quadrilha de autoria dele.

Neste período, começa o acompanhamento de sanfona em gravações de vários gêneros musicais, especialmente para a dupla Tonico e Tinoco e o cantor Teixeirinha.

No início dos anos 60, grava "Meu prazer", arrasta-pé, e "Charanguinha", outro arrasta-pé.

O pai de Zé Cupido, seu Manoel da Rocha Cupido, falece em 1965.

Em 1969, gravou “Choros – Autores Famosos”, Zé Cupido e Regional.

Em 1970, grava o LP autoral “Minha Terra”.

Em 1970, Nhá Barbina gravou na Premier o arrasta-pé "Puxa-puxa", outra de suas parcerias com Capitão Furtado.

Em 1971, fez o acompanhamento do primeiro disco da dupla Chitãozinho e Xororó, pela gravadora Tropicana. No LP, também marcou com a composição de sua autoria "Granja Cocodeco", parceria com Capitão Furtado, e “Calango Mineiro”, com Arlindo Pinto.

Em 1972, gravou na Tropicana o xote-valsa "Salva o sanfoneiro", outra parceria com Capitão Furtado.

Em 1976, faz acompanhamento de um disco de Zé do Pife, lançado pela Continental, utilizando uma sanfona Hohner em afinação natural. O trabalho traz canções famosas, como “Luar do Sertão” e “Mulher Rendeira”.

Em 1978, gravou três LPs pela Chantecler usando o nome artístico de Chico Manguaça, com canções inéditas e regravações.

Em 1979, gravou pela Gravadora Cartaz, o LP “Sabiá”, em que fez novos arranjos para clássicos como "Tico-tico no fubá", de Zequinha de Abreu e "Brasileirinho", de Valdir Azevedo.

Prosseguiu fazendo shows e participou como instrumentista de gravações de Teixeirinha e Tonico e Tinoco, entre outros.

Nos anos 1980, conhece Inezita Barroso quando começa a se apresentar no histórico “Viola Minha Viola” desde os primeiros programas, o que se manteve até os anos de 2012.

Seu virtuosismo musical rendeu a Zé Cupido espaço no Dicionário da Música Brasileira, publicação do Grupo Folha, que lista os maiores nomes musicais do país.

De volta a Jacareí

Em 1988, volta a morar em Jacareí devido a uma doença grave da esposa Josefa, que não tinha mais condições de cuidar dele.

Antes dessa data, ela compra uma casa para Zé Cupido na bairro Avareí, e segue para Irati (Paraná), onde tinha família. Dona Josefa e Zé Cupido se viam de 15 em 15 dias, até a esposa falecer pouco depois.

Zé Cupido recebeu o título de Cidadão Jacareíense em 20 de novembro de 1992, por meio de um decreto do vereador Cristovão Arouca, que foi amigo do pai do música na época da Central do Brasil.

Em 1997, gravou um CD com as composições "Não existe pecado ao sul do Equador", de Chico Buarque e "Quadrilha", de Jorge Melo. Lançou no mesmo ano outro CD onde se destacaram "No coração do Brasil" e "Baile na colônia", ambas de sua autoria.

Zé Cupido também se apresentava em outros locais do Vale do Paraíba, com companhia providencial do amigo Waldomiro Rangel, do grupo Chorões do Vale, com quem participou de inúmeros projetos como Noite da Seresta, no Teatro Fêgo Camargo.

Em 1999, também realizou uma pequena turnê pelas cidades históricas de Minas e Belo Horizonte, com o Quarteto Mantiqueira.

Entre o final dos anos 1990 e 2000, também participou de diversas homenagens realizadas a Amácio Mazzaropi com o grupo Chorões do Vale. Essa iniciativa, consistia em realizar apresentações no Cemitério de Pinda, local onde o cineasta está enterrado.

Em 2002, é convidado pelo músico Freddy Mogentale a se apresentar fixamente no bar do Freddy, onde apresenta todos os estilos de músicas.

Mas neste período, Zé Cupido se apresentou em inúmeros lugares, tanto em Jacareí, como na região do Vale do Paraíba, desde festas particulares a iniciativas como do Grupo de Seresta Darcy Reis e locais como Restaurante Casa da Elisa (em Quiririm) ou evento maiores como a Fapija, festas diversas como a do Festa do Divino, em Guararema.

Entre alguns outros lugares que se apresentou fixamente estão o Cantinho da Viola, local onde ele considerava sua própria casa.

Zé Cupido também foi atração em inúmeros programas, desde o “Viola Minha Viola”, de Inezita Barroso, a outras atrações locais como no Programa na TV Cidade de Taubaté, apresentado pelo amigo Waldomiro Rangel de 2006 a 2010, participou de entrevistas como “Gente de Destaque”, da TV Câmara de Jacareí, em 2010, além de programas como o “Na Palma da Mão”, capitaneado por Estevão Gabino, o Poeta Cantador do Vale, como integrante do Choro da Terra; e Julio Neme na TV Chão Caipira.

Participou de diversas iniciativas musicais de amigos como a gravação do CD de Freddy Mogentale e Maria Antonia em CD tributo a João Pacífico e iniciativas como a de B. Monteiro e Seus Amigos, e de diversos outros.

Em Jacareí, fez parcerias com diversos músicos e grupos musicais. Um deles foi o Calango Seco, com quem tocava no Bar Ladeira da Quitanda.

Seu penúltimo show foi uma apresentação da TV Cidade de Taubaté, dentro do programa “Sua Majestade o Violão e seus Convidados”, gravado em Natividade da Serra. Zé Cupido foi convidado para prestar uma homenagem aos 91 anos do sr. Benedito da Costa, no dia 24 de julho de 2013.

Apresentou-se de forma contínua também com os grupos Choro da Terra por muitos anos e Joel e Seus Boêmios, com quem fez sua última apresentação na véspera de sua morte.

Na madrugada de 28 de julho, sofreu uma queda em sua casa e sofreu três paradas cardíacas, já na Santa Casa, onde veio a falecer.

Está sepultado no Cemitério de Quiririm (Taubaté).